Muitas vezes, a obstipação é tratada como um “tabu” ou apenas um desconforto passageiro. No entanto, para quem vive com este sintoma, sabemos que o impacto na qualidade de vida, no humor e na energia é real. Mas será que tudo o que ouvimos por aí funciona mesmo?
Recentemente, a British Dietetic Society reuniu as pesquisas mais robustas sobre o tema para separar os mitos das estratégias que têm evidência científica.
Afinal, o que é ser obstipado?
Antes de tratarmos, precisamos de diagnosticar corretamente. Segundo os Critérios de Roma, a obstipação não é apenas “ir pouco à casa de banho”. Pode ser considerada obstipada a pessoa que apresenta dois ou mais dos seguintes sintomas:
Esforço excessivo para evacuar;
Fezes muito duras ou ressecadas;
Sensação de evacuação incompleta ou de “bloqueio”;
Necessidade de realizar manobras manuais para facilitar a saída;
Evacuar menos de 3 vezes por semana.
Estratégias que se destacam (e como usá-las)
1. Psyllium: A fibra de eleição
O Psyllium é uma das ferramentas mais eficazes para aumentar a frequência das evacuações e melhorar a consistência das fezes.
Como usar: A dose recomendada é de mais de 10g por dia.
Tempo de resposta: É necessário manter o uso por, pelo menos, 4 semanas para avaliar resultados.
Nota: Atenção, esta fibra pode não funcionar para todos os organismos.
2. Kiwi: O aliado natural
Se procura uma alternativa alimentar, o Kiwi é surpreendente. Ele tem um efeito muito parecido com o Psyllium, mas com uma vantagem: costuma ser melhor tolerado por quem sofre de gases ou distensão abdominal.
3. Magnésio e Probióticos
O Magnésio ajuda significativamente na frequência intestinal, na consistência das fezes e na sensação de evacuação completa. Já os Probióticos, embora não aumentem tanto a frequência, são excelentes para melhorar a forma e a consistência das fezes.
O que evitar? O mito do Pão de Centeio
Embora o pão de centeio possa aumentar a frequência intestinal, ele pode piorar sintomas como estufamento e gases. Além disso, a dose estudada (6 a 8 fatias por dia) não é realista para a rotina da maioria das pessoas. Por isso, esta é uma estratégia que eu, particularmente, não recomendo.
Conclusão: Obstipação não é “frescura”
Cada intestino é um ecossistema único. O melhor tratamento nunca será uma solução genérica, mas sim aquele que considera os seus sintomas específicos, a sua rotina e a sua tolerância intestinal.
Sente que o seu intestino está a travar a sua rotina? Nas minhas consultas, utilizamos estas evidências científicas para desenhar um protocolo que respeite a sua individualidade.
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